Monólogo

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B: A simulação da catástrofe ou o eterno adiamento da crise.
D: Estranha época em que temos a reconciliação fraterna da arte e da política mediada pelo êxtase econômico.
B: Um monólogo a partir da vertigem sobre tanta superfície.
D: No fundo do fundo de tanta saúde não encontramos a morte como o Nosso Adorno nos disse.
P: É muito estranho.
B: Estranho para quem, de certa forma, aprendeu com a desconfiança.
P: Educado para a arte “chata”, aquela discutida nos desencontros entre os manifestos estuporados dos samurais do adornismo e a crítica comissionada.
P: Entre as gestões charlatãs da cultura e os neófitos ativistas bem intencionados.
D: Quando se simulava viver discussões (e falavam-se falavam-se falavam-se) sobre o dentro e o fora do sistema de arte e as possibilidades de o refletirmos politicamente ou aceitarmos esse pouco de olhos vendados.
B: Hoje aparentemente todos foram aceitos, tudo esta dentro. Liberdade aceitação assentimento.
D: Uma vitória de uma política dos não-saberes, que ora, não deixa de ser uma política. Menos pretensiosa e chata em relação à produção artística, essa queridinha de todas as possibilidades de transformação da linguagem e assim dos discursos e assim da política, ou seja, nenhuma.
B: Uma política dos não-saberes, quando se admite tacitamente a plena ignorância, em um processo que exige para a manutenção do dialogo a reafirmação da afasia do outro. Um espaço onde só se é admitido dialéticas do lero-lero.
D: Uma política e um saber de um poder vaporoso, que talvez não tenha dado como encerrada as discussões, mas que deixa claro a sua “horizontalidade” contra a vagarosidade histórica da dialética em um tempo de produção a toque de caixa.
B: O desejo pela regularidade (normatividade) do intestino econômico depende de uma cultura também normativa, que afinal de contas é do quê se alimenta.
P: O efêmero contemporâneo e a cartilha de como suportar juntos.
Foucault: tudo isso conviria bem à inércia atarefada daqueles que professam um saber pra nada, uma espécie de saber suntuário, uma riqueza de novo-rico cujos sinais exteriores, vocês sabem muito bem, encontramos dispostos nos rodapés das páginas.
B: E a psicose Oiticica ainda insiste em todas suas máscaras práticas e teóricas, em todas as mãos com todos os usos.
B: Nossos filisteus não são necessariamente mais belos apenas por se dizerem mais puros.
D: A linguagem depende de uma intencionalidade e não de uma coincidência histórica e territorial.
B: Pois tão vasto é o horizonte da lenga-lenga autorizada quanto são vastos os espaços onde se têm instituído.
P: Vastas ainda mais as ofertas e procuras por encontros e palestras delirantes em seu pragmatismo, sob temas que se importam em serem tão caros a nós como são tão tímidos em sua grandiloqüência.
D: A catástrofe de mais um texto falacioso sobre nadas, o lixo está em sua origem e seu destino.


 


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